
Lula

Getúlio Vargas

Brasil
A Terceira Via é uma espécie de nome genérico que os mais díspares grupos, de socialistas a nazistas, usam para designar suas próprias idéias e ideais, devido ao monopólio político-ideológico das posições direitistas e esquerdistas nos cenários políticos internacionais.
Então, não existe apenas uma Terceira Via.
Mas, até onde se saiba, ninguém jamais tentou montar uma terceira via realmente como uma alternativa tanto ao comunismo quanto ao capitalismo.
E esta é uma tentativa de fazer isso.
Porquê?
Primeiro temos de tentar entender um pouco da história da Direita e da Esquerda no Brasil.
Desde a fundação do Brasil até a Proclamação da República, não havia como se falar em Esquerda nem em Direita: não havia proletariado para haver Esquerda, nem havia necessidade ideológica de uma Direita, era pura e simplesmente um sistema escravocrata, apenas isso.
Mas as questões de Direita e Esquerda só começaram a importar de fato por causa da República Vargas: quando há indústria, há capitalismo, e onde há capitalismo, e onde há capitalismo, há operários, e, onde há operários, há campo fértil para idéias socialistas.
Declinaremos de falar sobre Luiz e Olga Prestes e Getúlio Dornelles Vargas, pois há excelentes livros sobre o assunto: o que importa é que tanto o socialismo quanto o capitalismo no Brasil eram “normais”, por assim dizer, e não diferiam em muita coisa do que acontecia na Europa, até onde este blog saiba.
Só que devemos fazer uma ressalva: a Direita de Vargas não era a Direita americana à qual todos estamos atualmente acostumados; era uma coisa mais parecida com o fascismo de Mussolini, e muita gente já via os comunistas por aqui como os mocinhos. O sr. Prestes, para a Esquerda daquela época, era mais ou menos como o sr. Olavo de Carvalho para a Direita da nossa, e igualmente controvertido.
Contudo, talvez ele seja mais conhecido pela história da chantagem que Getúlio Vargas fez contra ele, levando Olga Bernario, grávida, para os famosos Campos de Concentração nazistas, e de como depois ele devolveu-lhe ao menos a criança a ele. É provável que Prestes tenha lhe retribuído o favor por senso de honra, apoiando-o, mesmo quando ele saiu do poder, mas isso é outra longa história: o que importa, para nós, é que Getúlio Vargas só procurava lesar quem lhe pisasse no calo, não se importando muito com o cidadão comum a esse ponto.
As coisas só começaram a ficar realmente diferentes na época da Ditadura Militar.

Wladmir Herzog
Não é algo muito agradável de se ver, eu concordo, mas ao menos o homem aí de cima, chamado Wladmir Herzog, teve a sorte de fazer parte tanto dos socialistas quanto dos judeus, os quais não deixaram com que a morte dele ficasse por isso mesmo.
Houve muita gente inocente que morreu durante essa época. E não se tratava necessariamente de alguma espiã comunista que tivesse casado ou tido filhos ou de algum homem socialista diretor de TV estatal, e não era necessário sequer ser judeu: bastava que algum desafeto teu tivesse as amizades certas para que você pudesse ser caluniado e morresse torturado: e, se fosse mulher, ainda poderia virar escrava sexual antes de morrer, e se grávida… bom, é melhor respeitarmos os mortos e irmos ao que interessa…
Estamos entrando diretamente na época que queimou o filme da Direita no Brasil: os Anos de Chumbo.
Diferentemente do que ocorria na era Vargas, não era um homem chamado Getúlio Vargas ou qualquer outro nome de peso quem estava mandando: era, desta vez, o próprio Exército Brasileiro quem tomara de fato o poder, e decidira governar o Brasil, acabando com toda oposição: e não havia como apelar.
Na época de Getúlio Vargas, havia quem era de esquerda e quem era de direita. Obviamente, quem era de esquerda era considerado marginal, mas, na prática, o homem comum não queria se meter nem com o governo nem com os socialistas, preferia viver a sua vidinha pacata e ponto final, se bem que ser socialista na época já era considerado “romântico” e “ousado” por muitos estudantes na época.
Quando veio a Ditadura Militar, porém, ela teve o efeito de acabar com a Direita e fortalecer a Esquerda de uma maneira fantástica. De repente, não era mais algum cara comunista que se via na TV ou no rádio que desaparecia: era algum amigo teu, e ninguém quis ser de Direita, pois significava compactuar com gente que era parecida com os nazistas. O mesmo cidadão de bem que, na época de Getúlio Vargas, teria dito a Luiz Carlos Prestes: “Bem feito! Você perdeu tua mulher! Ir contra o Governo dá nisso!” agora era o mesmo que vez ou outra via o próprio filho ou a filha ser pego pelo próprio Governo e torturado por meios não tão diferentes dos usados pelos nazistas.
O resultado?
O povo brasileiro tornou-se, em sua grande maioria, um povo de tendências socialistas, como era de se esperar.
Existiu um pequeno grupo que quis evitar se meter em política, pois entendia que o negócio dele era “espalhar Jesus” pelo Brasil, não ficar brigando com o Governo nem com os Socialistas. Este grupo eram os Evangélicos. Justamente por não se meterem nem com um lado nem com o outro, eles conseguiram um crescimento extraordinário, e seriam mais tarde importantes para o futuro. Porém, não tocaremos neles neste momento. Eles e a Igreja Católica, que hoje em dia formam a Nova Direita, serão assunto para mais tarde.
Quanto à Igreja Católica, ela meteu-se no meio, e também os judeus, e, por várias razões, os militares acabaram tendo de ser forçados a entregar o governo.
Mais tarde, foi eleito o polêmico presidente Collor de Mello , que acabou com a lei de reserva de informática, o que possibilitou que, entre outras coisas, o orkut entrasse no Brasil.
Isso fez com que várias pessoas de pensamentos e interesses parecidos se juntassem, entre eles os formadores da Nova Direita, bem como o povo da Esquerda.
A Nova Direita, ou Direita-Cristã, surgiu por causa de um erro da Esquerda, mais precisamente do PT: como em todo partido esquerdista, as coisas são impostas de baixo para cima, e eles tentaram impor meio que na base da pressão e da força idéias liberais a uma sociedade extremamente conservadora como a brasileira, ameaçando até quem nada tinha a ver com a história, como os evangélicos, o que desencadeou um efeito em cascata.
Embora possamos dizer que Diogo Mainardi tentou ser um precursor da Nova Direita, a coisa só começou a engrenar quando um evangélico chamado Júlio Severo, que era a favor da Direita americana, começou a brigar com o Movimento Gay, e gente como Olavo de Carvalho começou a lhe dar apoio. E foram Júlio Severo e Olavo de Carvalho quem fizeram essa nova Direita, que desta vez nada tinha a ver com os militares, engrenar, ajudando a puxar tanto evangélicos quanto católicos de tendências conservadoras.
O que temos no Brasil é uma Esquerda hipertrofiada e uma Direita em formação, cada uma com suas respectivas características.
Mas voltou o velho problema:
E se eu não gostar nem da Direita nem da Esquerda, de que lado eu fico?
Esta é a razão deste blog.
Apresentaremos, dia a dia, as nossas propostas a quem interessar possa.
Quem gostar, junte-se a nós.
Equipe Terceira Via.
